Frivolité: em 1700 já se falava na técnica...
Em português “frivolitê” ou “frivolité”, em inglês “tatting”,em francês “frivolité”, em italiano “chiacchierino”. As denominações em diferentes idiomas é sempre importante conhecer para facilitar as pesquisas.
Quem não gosta de uma boa história... saber que navetes de frivolité são mencionadas no inventário feito na Corte de Luiz XV (1710-1774) já rende, então vamos lá!
No inventário de pinturas encomendadas e compradas pela administração do rei (1709-1792), escrita e publicada por Fernand Engerand, mais especificamente na página 346, conforme mostra a imagem abaixo, a palavra frivolité é mencionada.
De acordo com Earnshaw (1) a técnica
data do século XVIII, mas só teve destaque em 1850 quando Mlle Riego publicou
várias instruções e desenhos e ganhou prêmios na Exibição internacional de 1880.
Capa do livro de Mlle Riego
Esse e outros livros vc encontra em Antique Pattern Library no link: http://www.antiquepatternlibrary.org/html/warm/tatting.htm
De acordo com Earnshaw (1) muitas inovações na técnicas são provenientes
da Rainha Elisabeth (1869-1916) da Romênia. Apesar de não ser mencionada exatamente
quais são as inovações, acredito que a Rainha realmente tenha praticado (e
muito). Não só praticado como se destacado, isso porque há uma estátua na Romênia
onde a Rainha tece e podemos observar uma navete em sua mão!
A técnica consiste na confecção de nós duplos com uma navete apropriada, mas também pode ser executada com uma agulha longa. Além
dos nós, o picot é presença constante, tanto para ornamentar quando para servir
de apoio para a união de arcos e os anéis (formas circulares).
As formas circulares, arcos e picots são dispostos formando
módulos quadrados, triangulares ou losangos que podem ser aplicados de forma
isolada, ou se repetirem em grandes peças.
A navete é composta de uma parte central coberta com duas formas elípticas. Na parte central, fica depositado o fio usado para tecer a renda.
Há também agulhas longas, de diferentes espessuras, que podem ser empregadas para construção da renda.
Diferentes fios são usados para tecer a renda. A espessura
pode ser desde uma linha de costura muito fina, até fios mais grossos. Tudo vai depender da habilidade e criatividade de quem tece.
Não tenho aqui a intenção de ensinar como se faz a renda frivolité,
mas para ver diversos trabalhos feitos com essa técnica, basta dar uma rápida procurada
na internet pelos nomes que mencionei no início deste texto.
Além disso, estou trabalhando na minha primeira coleção com
frivolité. Se você se interessar em me acompanhar, me siga no Instagram
@verafelippi ou em @diving_into_textiles.
Obrigada e até a próxima!
Referências:
Earnshaw, Pat. The Identification of Lace. 3th. ed. London: Shire Publications Ltd, 2000.
Link para o Inventário de pinturas encomendadas e compradas pela administração do rei (1709-1792): https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6340828v/f422.item.r=frivolit%C3%A9
Os links estão no decorrer do texto
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