Frivolité: em 1700 já se falava na técnica...


Em português “frivolitê” ou “frivolité”, em inglês “tatting”,em francês “frivolité”, em italiano “chiacchierino”. As denominações em diferentes idiomas é sempre importante conhecer para facilitar as pesquisas.



Quem não gosta de uma boa história... saber que navetes de frivolité são mencionadas no inventário feito na Corte de Luiz XV (1710-1774) já rende, então vamos lá!

No inventário de pinturas encomendadas e compradas pela administração do rei (1709-1792), escrita e publicada por Fernand Engerand, mais especificamente na página 346, conforme mostra a imagem abaixo, a palavra frivolité é mencionada. 



Detalhe da página 346 do Inventário

O texto refere-se a pintura feita em 1756, intitulada Madame Adelaide de France faisant des noeuds e pintada por Jean–Marc Nattier. Observe que em uma das mãos, Adelaide segura uma navete.

Madame Adelaide de France faisant des noeuds

Essa foi uma das referências mais antigas que encontrei, mas provavelmente a técnica já existia há algum tempo. Até porque, se a técnica chegou ao ponto de ser mencionada na corte é certo que já era praticada há algum tempo, porém ainda não consegui encontrar em minhas pesquisas nenhuma menção anterior. Então o “onde, quando e por quem” a técnica foi inventada eu não tenho respostas e mesmo muitos autores internacionais que escrevem sobre renda não fazem nenhuma afirmação sobre tais questões.  

De acordo com Earnshaw (1) a técnica data do século XVIII, mas só teve destaque em 1850 quando Mlle Riego publicou várias instruções e desenhos e ganhou prêmios na Exibição internacional de 1880. 

Capa do livro de Mlle Riego 

Esse e outros livros vc encontra em Antique  Pattern Library no link:    http://www.antiquepatternlibrary.org/html/warm/tatting.htm

De acordo com Earnshaw (1) muitas inovações na técnicas são provenientes da Rainha Elisabeth (1869-1916) da Romênia. Apesar de não ser mencionada exatamente quais são as inovações, acredito que a Rainha realmente tenha praticado (e muito). Não só praticado como se destacado, isso porque há uma estátua na Romênia onde a Rainha tece e podemos observar uma navete em sua mão!

Estátua da Rainha Elisabeth da Romênia.


Rainha Elisabeth da Romênia tecendo renda frivolité

A técnica consiste na confecção de nós duplos com uma navete apropriada, mas também pode ser executada com uma agulha longa. Além dos nós, o picot é presença constante, tanto para ornamentar quando para servir de apoio para a união de arcos e os anéis (formas circulares).

As formas circulares, arcos e picots são dispostos formando módulos quadrados, triangulares ou losangos que podem ser aplicados de forma isolada, ou se repetirem em grandes peças.

A navete é composta de uma parte central coberta com duas formas elípticas. Na parte central, fica depositado o fio usado para tecer a renda.

Há também agulhas longas, de diferentes espessuras, que podem ser empregadas para construção da renda.


Agulha e navete para frivolité

Diferentes fios são usados para tecer a renda. A espessura pode ser desde uma linha de costura muito fina, até fios mais grossos. Tudo vai depender da habilidade e criatividade de quem tece.

Não tenho aqui a intenção de ensinar como se faz a renda frivolité, mas para ver diversos trabalhos feitos com essa técnica, basta dar uma rápida procurada na internet pelos nomes que mencionei no início deste texto.

Além disso, estou trabalhando na minha primeira coleção com frivolité. Se você se interessar em me acompanhar, me siga no Instagram @verafelippi ou em @diving_into_textiles.

Obrigada e até a próxima!


Referências:

Earnshaw, Pat. The Identification of Lace. 3th. ed. London: Shire Publications Ltd, 2000.

Link para o Inventário de pinturas encomendadas e compradas pela administração do rei (1709-1792):    https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6340828v/f422.item.r=frivolit%C3%A9

Os links estão no decorrer do texto

Comentários

Postagens mais visitadas